informações médicas recolhidas na internet - maldição ou bênção
Dr.med. Felix Schürch
Tirado do „Zürich West", 7 de Fevereiro de 2008
Eu aconselho frequentemente os meus pacientes a informarem-se sobre os problemas que os afectam. Afinal de contas, a internet, e com ela a world wide web, tornaram-se numa fonte de informação inprescindível também para mim, como médico. Ela é por assim dizer uma biblioteca gigante, onde se podem encontrar informações sobre os mais variados temas: e tudo isto confortávelmente a partir da nossa casa ou do consultório, directamente do nosso próprio computador. Sería uma hipocrisía da minha parte, como profissional, limitar-me a torcer o nariz sobre este meio de informação e o seu conteúdo. Os pacientes vêm à consulta após já terem encontrado bastantes ideias, explicações e recomendações na net. Para pessoas com um problema de saúde, pode ser uma ajuda receberem informações adicionais e conhecimentos prévios sobre a matéria. As ofertas proporcionadas por organizações de auto-ajuda e associações tais como a Liga contra as Doenças Reumáticas, a Liga contra o Cancro e Sociedades de Diabetologia revelam-se muito úteis. Os pacientes, ou seja, as pessoas afectadas, podem participar activamente na reflexão e colaborar em qualquer decisão, podendo assim ter o domínio sobre o rumo do seu caso.
Neste sentido, a internet é um remédio. Mas, tal como todas as medidas eficazes, também neste campo devemos ter conhecimento dos efeitos secundários e dos riscos que lhe são adjacentes. Com frequência desperdiçamos muito tempo a navegar na rede, porque não encontramos as páginas que realmente procuramos. E no final ficamos sem obter uma resposta clara à nossa dúvida. Ou então, dentro do contexto de sintomas e doenças, tropeçamos num vasto campo de conhecimento sobre eventualidades e possibilidades, e quase deitamos as mãos à cabeça. Será que o paciente tem que saber o que podería estar por trás dos seus achaques crónicos, mas inofensivos - tais como enxaquecas, irritação do cólon, tinnitus (zumbido nos ouvidos), etc.? Isso porque os riscos e perigos com efeito são mais reduzidos, se os compararmos àqueles ocasionados pelos acidentes diários ocorridos nas estradas. Muitas informações e recomendações escondem fins publicitários mais ou menos evidentes: o gestor comercial da homepage em questão pretende vender um serviço ou um produto. Mesmo as grandes empresas farmacêuticas de renome não vacilam em publicitar os seus medicamentos, colocando-os num pódio de exclusividade. Isso desperta supostamente grandes esperanças e anseios nas pessoas afectadas.
Antes de nos embrenharmos na selva de informações e de nos enredarmos pela net adentro, devemos primeiro conversar com a nossa médica ou o nosso médico. É esse o propósito da consulta. Devemos de preferência anotar préviamente as nossas perguntas. Deste modo, podemos expor as nossas incertezas de uma maneira concisa e clara, as falsas esperanças podem ser relativadas e podemos absorver novas ideias. A rede mundial e o médico ou a médica do bairro não são concorrentes em matéria de informação. Muito pelo contrário. A prova práctica desse facto é fornecida pela homepage das médicas e dos médicos do distrito 9, site www.quartieraerzte.ch.